Filme Django Livre – (por Leonardo Campos)

janeiro 24, 2013 por  

     O estilo das histórias contadas por Quentin Tarantino e o modo como ele conduz suas tramas tornaram o cineasta praticamente um gênero cinematográfico. Com filmes carregados de um violento humor negro, investe em diálogos rápidos, diretos e inteligentes, ou carregados de debates sem importância com o enredo e fazem referências diretas e indiretas à cultura pop e filmes cults, Cultura pop de quando pop era algo bem separado da cultura roqueira, punk, hippie e gótica. Tarantino utiliza muito a exploração cinematográfica de um nicho cultural de forma exagerada ou até absurda.

     Em “Django Livre” Tarantino mixacultura pop afro-americana com os westerns spaghetti e situa sua história no sul dos EUA a poucos meses da Guerra Civil local, colocando os escravocratas como a grande “figura de autoridade” a ser combatida pelos afro-americanos através da violência.

     Djangoé um personagem essencialmente quieto, até por ser da natureza do protagonista de um Western fazer mais do que falar, referenciando, por exemplo,ao personagem de Clint Eastwood na Trilogia dos dólares (Por um punhado de dólares, Por uns dólares a mais e Três homens em conflito ou O bom, o mau e o feio), o Homem sem Nome  ou Blondiee, ao mesmo tempo, referenciando o ícone da cultura afro-americana dos anos 70 John Shaft, do filme pop Shaft (1971), personagem que dá nome ao filme protagonizado por Richard Roundtree, tornando o trabalho de construção do personagem mais físico para Jamie Foxx e mais visual para Tarantino. Fazendo de Django um personagem de guerreiro solitário em busca de sua donzela em perigo das garras do vilão malfeitor.

     O plano de fundo da casa do “sinhozinho” interpretado por Leonardo DiCaprio pode ser bem caracterizado como do clássico …E o Vento Levou (1939), que se passa durante a guerra civil e Samuel L. Jacksonremete a uma versão masculina e maquiavélica da Mammy, do clássico de 1939.

     Toda filme remete a filmes e arquétipos já definidos em filmes de westerns, não apenas os spaghetti. A procura pela donzela como em Rastros de Ódio (1956), o isolamento de Django como Trilogia dos dólares já citada, a destreza absurda com o revolver de dupla ação como em TODOS os filmes de westerns e o sujeira dos vilões e os heróis engomados, como nos westerns dos anos 50, com John Wayne.

     A trilha sonora é ótima, indo desde EnnioMorricone e temas clássicos dos westernspaghetti até a RZA, em remixes bem elaborados que casam perfeitamente com a mistura temática.

     Django Livre pode até não ser o melhor trabalho de Tarantino, mas é muito bem o arco de revanchismo histórico iniciado por ele em “Bastardos Inglórios”, entregando ótimas atuações, cenas de ação exageradas e toscamente divertidas e muito humor negro. 

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